Calmantes

     
 
Os calmantes (chamados no jargão técnico de ansiolíticos, por aliviarem a ansiedade e a tensão) e as anfetaminas (droga com diversos propósitos médicos, sendo que o mais conhecido é como remédio para emagrecer) estão entre as drogas legais mais preocupantes da atualidade no mundo inteiro. Seu uso só deveria ocorrer com recomendação médica, pois a automedicação ou a utilização indevida podem produzir dependência. Entre os jovens, estas drogas são conhecidas por bolinhas.

Os calmantes surgiram na década de 50 e 60. O primeiro deles, o meprobamato, foi logo abandonado, sendo que hoje em dia são muito utilizados os benzodiazepínicos (Diazepam, Valium, Lorax, Lexotan, entre outros) e os barbitúricos (o fenorbital, por exemplo). Segundo dados da Associação Brasileira da Indústria Farmacêutica, dos 35 milhões de comprimidos de calmantes comercializados no Brasil durante 1994, 75% foram consumidos por mulheres. Vale aqui destacar mais uma vez Carlini e Masur, que em Drogas - Subsídios para uma discussão, teorizam brilhantemente sobre o consumo crescente destas drogas entre a população:

“Desde a Antiguidade o homem tem procurado drogas que possam exercer esses efeitos (calmantes), na tentativa de fugir dos problemas ou ignorá-los, em lugar de enfrentá-los ou resolvê-los. O álcool, várias plantas e até mesmo a maconha foram utilizados no passado, numa tentativa de se produzir esse estado de ‘tranqüilização’. Entretanto, só modernamente, nos últimos trinta anos, foram descobertas potentes drogas sintéticas que possuem a propriedade quase específica de produzir esse efeito. E, como se pode deduzir, são drogas de muita procura.”

“Resulta daí que tem havido um uso excessivo delas, levando a problemas médicos e sociais. Conforme será visto adiante, parte desses problemas é resultante da propaganda excessiva dos laboratórios farmacêuticos, que, na ânsia de vender mais, tentam convencer os médicos e a população que mesmo estados de discreta ansiedade, absolutamente normais, gerados por preocupações da vida cotidiana, precisam ser tratados.”

Além dos efeitos já mencionados, proporcionam aumento do sono, sendo normalmente receitados em casos extremos de ansiedade, insônia, como relaxantes musculares ou anticonvulsivantes. Sua utilização por mais de algumas semanas pode causar dependência tanto física quanto psíquica, sendo que a tolerância ao medicamento também se desenvolve. Os efeitos colaterais apresentados pelo usuário são dificuldade na coordenação motora e lentidão dos movimentos, aumentando consideravelmente o risco de acidentes. O aumento do apetite, sonolência excessiva e diminuição da memória e do desejo sexual são outras conseqüências indesejadas. Inconsciência e até a morte podem resultar de doses muito elevadas, ou ainda da mistura com bebidas alcoólicas que potencializam seus efeitos. A síndrome de abstinência pode trazer ansiedade, insônia, agitação, zumbidos, tremores, tonturas, dores de cabeça, irritabilidade, cãibras, desconforto abdominal, vômitos, náuseas e diarréias. Outro sintoma que pode acontecer é a convulsão.

Sob nenhum aspecto os calmantes devem ser utilizados durante a gravidez. Problemas extremamente graves como malformações, depressão do sistema nervoso central, sonolência, falta de apetite e flacidez da musculatura podem acontecer com o bebê. A criança também corre o risco de apresentar dependência ao medicamento utilizado pela mãe.

O dr. Mário Tannhauser, médico coordenador do Serviço de Informações sobre Substâncias Psicoativas (SISP) da Fundação Faculdade Federal de Ciências Médicas de Porto Alegre, em Conversando sobre drogas, livro que conta ainda com a autoria das dras. Semíramis Tannhauser, e Helena Maria T. Barros, médicas, e da farmacêutica Cláudia Ramos Rhoden; assim se pronunciam sobre os cuidados necessários no uso de calmantes e hipnóticos:

Estas drogas podem produzir dependência, se usadas em grande quantidade e por muito tempo. Por isto, só podem ser vendidas quando se apresenta uma receita médica (tipo azul).

Não use os remédios indicados para os vizinhos, parentes ou amigos.

Não dê o remédio que foi receitado para você aos seus vizinhos, parentes ou amigos.

Siga corretamente as instruções do seu médico.

Caso você não tenha compreendido bem as instruções do médico pergunte tantas vezes quantas forem necessárias para que você possa usar o remédio corretamente.

Não use remédios vencidos.

Não acumule muita quantidade de remédios em casa.

Não troque as embalagens dos medicamentos.

Mantenha-os longe do alcance das crianças ou de pessoas com doenças psiquiátricas.

Se o remédio for tomado em dose alta por acidente, ou por alguém que não deveria tomá-lo, dirija-se imediatamente ao serviço de urgência e leve o nome ou a embalagem do remédio.

Alguns sinais de intoxicação podem ocorrer, principalmente em idosos, mesmo quando for usada a dose prescrita pelo médico. Comunique-o imediatamente.

São sinais comuns de intoxicação aguda com os calmantes e remédios para dormir: sonolência durante o dia, dificuldade de concentração, esquecimento e aumento do apetite. Raramente a intoxicação se manifesta com agitação.

Não use estes medicamentos se você vai dirigir automóvel, ônibus, motocicleta, trator ou se vai operar máquinas automáticas. Informe-se com seu médico de como agir em relação à receita que ele lhe deu.

Não tome bebidas alcoólicas enquanto estiver fazendo uso destes medicamentos.

A primeira anfetamina a ser sintetizada foi a d-anfetamina (dextroanfetamina) em 1928, entrando no mercado em 1932. Depois disto, várias outras foram fabricadas em laboratórios, tais como a dietilpropiona (utilizadas por medicamentos como o Dualid, Hipofagin, Inibex, etc.), a metanfetamina (Pervitin, já retirado do mercado brasileiro), o preludin, o mazindol, etc. As anfetaminas foram muito utilizadas durante a II Guerra Mundial, com o objetivo de fazer com que os soldados resistissem à fadiga do combate.

Sua utilização como moderador do apetite vem sendo cada vez menos aceita entre os médicos modernos. A este respeito, o psiquiatra Ângelo Campana, presidente da Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas (ABEAD), revela: “Sabe-se que a moderação do apetite e a obesidade têm mais a ver com dieta e distúrbios de comportamento. Mesmo que estes remédios tirem o apetite por algum tempo, a fome volta em seguida, com mais força”. Ressalta ainda que a maioria dos especialistas em regimes alimentares não recomendam estes medicamentos para seus pacientes. “Hoje só é usada por curiosos e médicos sem conhecimento da área, que esperam resultados apenas a curto prazo”.

Outra utilização desta droga reside no controle de doenças comportamentais de crianças, como a hiperatividade. Mas esta medicação precoce vem sendo analisada com cuidado por vários profissionais da área por conter excessos. O chefe do serviço de psiquiatria infantil da Escola de Medicina da Universidade Federal de São Paulo, Raul Gorayeb, assim pronuncia-se a este respeito: “Essa tendência à medicamentação tem causas ideológicas e interesseiras. É fruto da hipervalorização dos aspectos biológicos sobre os psicológicos e sociais e de um comodismo em buscar soluções rápidas. A parte interesseira é o marketing agressivo da indústria farmacêutica”.

Como drogas de abuso, destaca-se seu uso por esportistas para melhorar seu desempenho, motoristas que querem dirigir a noite toda e estudantes que desejam passar várias horas estudando.

Os efeitos das anfetaminas são falta de apetite, insônia e hiperexcitabilidade. Por não dormir, o usuário fica em um estado de excitação constante, tornando-se loquaz, inquieto e extrovertido. Doses excessivas, além de acentuar estes efeitos, podem produzir tendências agressivas e psicose aguda, febre alta e convulsões. Estados de paranóia com delírios persecutórios (o usuário sente-se perseguido por outras pessoas) também podem surgir. Os já citados Carlini e Masur, em Drogas: subsídios para uma discussão, relatam ainda que “o quadro da intoxicação aguda por anfetaminas é muito semelhante ao de um acesso de esquizofrenia paranóide (uma doença mental), e o médico às vezes tem dificuldade para fazer o diagnóstico diferencial”.

Além da incapacidade do usuário de anfetaminas, quando sob ação da droga, para avaliar suas condições física e psicológica, estas drogas ainda causam problemas cardíacos (arritmia), irritabilidade, perda de peso, ansiedade, tensão, tremores, vertigens, irritações na pele, midríase (dilatação das pupilas) e hipertensão arterial.

Ainda não está comprovado que as anfetaminas provoquem dependência física. Mas, além de desenvolver tolerância, sabe-se que a dependência psíquica desta droga é muito forte. Depressão com alto potencial suicida, fadiga e sonolência podem surgir quando o usuário regular suspende o uso da droga.

O Jornal Brasil Sem Drogas do CRER-VIP, ainda em INFORMAÇÕES SOBRE DROGAS, oferece-nos as seguintes dicas para uma vida mais saudável, com matéria produzida pelo Dr. Elias Murad; Dr. J. Gonzaga e outros:

Procure não superdimensionar os contratempos corriqueiros do dia-a-dia.

Cuide de sua alimentação, incluindo frutas, verduras e muita água.

Comer equilibradamente. Se possível, moderadamente.

Comer em horários regulares. Por exemplo, 7, 13 e 19 horas.

Evite enlatados e refrigerantes.

Abstenha-se de fumar.

Beber pouco, ou mesmo não fazê-lo.

Pratique esportes. Tenha alguma atividade física regular. Escolha aquele adequado ao seu tipo físico e de sua preferência.

Caso você tenha algum problema de saúde, consulte seu médico sobre o esporte mais indicado em seu caso. Para aqueles que têm problemas cardíacos, os exercícios físicos devem ter acompanhamento médico.

Período de sono noturno de 7 a 8 horas por dia.

Jamais tome remédios sem indicação médica.
 

 

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