LSD

     
 

Dietilamida do ácido lisérgico. Este nome tão estranho encerra dentro de si uma das drogas mais cultuadas de todos os tempos, conhecido pela abreviatura do seu correspondente em alemão, LysergSaureDiathylamid, ou LSD. Foi um químico suíço da Sandoz chamado Hoffman que sintetizou a droga em 1938 a partir do fungo Claviceps purpurea, e acidentalmente descobriu seu potencial alucinógeno cinco anos depois, quando ingeriu pequeníssima quantidade. Eis sua descrição do ocorrido:

“Na tarde de 16 de abril de 1943 fui atacado por uma sensação incomum de vertigem e inquietação. Os objetos e o aspecto dos meus colegas de laboratório pareciam sofrer mudanças ópticas. Não conseguindo me concentrar em meu trabalho, num estado de sonambulismo, fui para casa, onde uma vontade irresistível de me deitar apoderou-se de mim. Fechei as cortinas do quarto e imediatamente caí em um estado mental peculiar, semelhante à embriaguez, mas caracterizado por uma imaginação exagerada. Com os olhos fechados, figuras fantásticas de extraordinária plasticidade e coloração surgiram diante de meus olhos. Após duas horas esse estado começou a desaparecer.”

Logo após este acontecimento, uma grande curiosidade sobre os efeitos deste alucinógeno tomou conta do mundo científico, sendo que foram realizadas várias experiências para conhecer os efeitos da droga no tratamento de doenças mentais e alcoolismo, entre outros. A conclusão foi de que o LSD não possui nenhuma utilidade médica. Mas na década de 60 um psicoterapeuta, Timothy Leary, passou a indicar o LSD como forma de expandir a percepção interior e exterior do indivíduo, transformando-se em um dos principais responsáveis pela popularização do ácido entre os jovens americanos. Até 1967 - quando o LSD foi proibido nos Estados Unidos -, Leary realizava “sessões” de uso da droga entre os estudantes da Universidade de Harvard, onde lecionava. Expulso da instituição, desencadeou o movimento conhecido como Liga da Descoberta Espiritual, deflagrado com o lançamento de uma música dos Beatles, Lucy in the Sky with Diamonds. Logo o movimento ganhou, literalmente, uma cara: uma esfera com uma boca sorrindo e dois olhos, conhecida por Smile, que rapidamente espalhou-se por bonés, camisetas, bottons e adesivos pelo mundo inteiro.



Em 1969, durante o festival de Woodstock, a droga teve seu apogeu, transmitido via satélite para o resto do mundo. Antes da metade dos anos 70, o consumo desta droga deixou de ser modismo entre os jovens, talvez por causa das chamadas bad trips (viagens ruins, como veremos mais adiante), talvez pelo grande número de mortes acidentais que ocorreram (e ainda hoje ocorrem) entre os usuários por causa da confusão mental provocada pelo ácido. O exemplo mais clássico deste estado é a pessoa que, depois de ingerir a droga, pensa que tem condições de voar, saltando de uma janela ou qualquer outro lugar a vários metros do solo.

Sobre a potência desta droga, assim escreveram Carlini e Masur em seu livro Drogas: subsídios para uma discussão:

“O LSD-25 é talvez a mais ativa das substâncias que agem sobre o cérebro humano. Pequeníssimas doses, de 20 a 50 milionésimos de grama, já produzem alterações mentais, como delírios, ilusões e alucinações, que duram de quatro a doze horas. Devido à sua grande potência, o LSD-25 é fornecido pelos traficantes das maneiras mais inusuais; por exemplo, em selos que são molhados e depois secos, bastando depois serem colocados na boca; em micropontos, etc.” Os efeitos do LSD, bem como dos demais alucinógenos, variam de acordo com a personalidade, a expectativa, a sensibilidade e as preocupações do usuário. Outros fatores como o ambiente e a dose ingerida também influem diretamente nas alucinações, delírios e ilusões advindas de seu uso. Por isto, o usuário tanto pode obter sensações agradáveis (good trip, ou viagem boa) como visões terríveis, sensações de deformação do próprio corpo, delírios de perseguição e morte iminente ou a certeza de que sofrerá um ataque físico. São as bad trips. As alucinações parecem verdadeiras para o usuário, e este é um dos motivos pelos quais a droga é normalmente utilizada em grupo: enquanto um ou dois a ingerem, os outros funcionam como uma espécie de “anjos da guarda” (para se utilizar do vocabulário entre os usuários), prontos para interferirem se a vida ou a integridade física dos viajantes entrar em risco. Mais uma vez citaremos Carlini e Masur: “... Aliás, essa é a melhor maneira de se tratar uma pessoa vítima de uma má viagem, muitas vezes em grande sofrimento psíquico pela extrema intensidade das sensações desagradáveis: mantê-la em ambiente agradável, calmo, com uma pessoa tranqüila em contato corporal (segurando-lhe a mão, abraçando-a), para lhe assegurar que nada de mau irá acontecer e que tudo passará com o tempo.” Entre os efeitos orgânicos causados pelo LSD estão a dilatação das pupilas, taquicardia, palpitações, aumento da pressão arterial, náuseas, tremores, fotofobia (medo da luz), aumento da temperatura e fraqueza muscular. Além dos efeitos psicológicos já citados, a droga pode causar ainda despersonalização e sintomas afetivos. Mais: a dra. Maria Paula Magalhães, da Escola Paulista de Medicina, afirma que “se o dependente tem propensão à psicose, o LSD tende a desencadear surtos”. Depois de trinta anos de pesquisa, ainda não se sabe se o LSD causa ou não dependência física ou psíquica. Mesmo sobre os flashbacks provocados pela droga (retorno das alucinações causadas pela droga mesmo sem que o usuário a tenha ingerido), a ciência ainda não têm estudos conclusivos. Acredita-se que eles são provocados por uma parte do ácido que demora a ser eliminada e permanece no cérebro. A overdose pode acontecer em doses que vão de 10 a 300 microgramas. O tráfico da droga é difícil de ser detectado, pois muitas vezes, ela chega do exterior pelo correio através de cartelas, pois o LSD é insípido, incolor e inodoro. Nos últimos meses, uma nova droga começa a causar apreensão no país: o Ectasy. Seu principal elemento ativo, a metilenedioximetanfetamina (MDMA) é uma substância sintética criada em laboratório na Alemanha em 1913. Ganhou notoriedade ao ser utilizada de várias formas: inibidor de apetite, no tratamento do mal de Parkinson (durante a década de 40), como antidepressivo (década de 60), e até mesmo como desinibidor durante as sessões de psicoterapia. Todas sem sucesso, exceto talvez para os fabricantes e alguns terapeutas que, sem maiores cuidados, receitaram a droga para seus pacientes. Há cerca de onze anos, o ectasy começou a surgir nas festas clubbers da Europa e dos Estados Unidos, tornando-se presença quase obrigatória e associado à house music e ao tecnopop, desembarcando no Brasil no início dos anos 90. No início uma droga restrita a uma pequena elite (até pelo preço, que varia de US$ 30 a US$ 60), a droga começou a preocupar as autoridades com as primeiras grandes apreensões, ocorridas a partir de 1995. Em sua maioria, os comprimidos tem chegado ao Brasil pelas mãos de turistas europeus. A ingestão desta droga aumenta a produção de seratonina, o hormônio que regula a atividade sexual (provocando um estado de excitação quase incontrolável no usuário), humor e sono, ajudando a romper os bloqueios emocionais do usuário, aflorando a libido e fornecendo uma sensação de bem-estar. Causa enrijecimento dos músculos e aumento dos batimentos cardíacos, que pode levar a um superaquecimento do corpo e desidratação. Apesar do aumento da libido, o orgasmo torna-se mais difícil de ser atingido. O uso contínuo do ectasy pode provocar paralisia cerebral e morte. A overdose pode acontecer não apenas por doses excessivas da droga, mas também quando estiver associada a outras drogas como álcool e cocaína. Alguns tipos de cogumelos possuem agentes (normalmente a psilobicina) que causam reações alucinógenas quando ingeridos. As espécies mais utilizadas no Brasil são o Paneoulus dispersus e o Psilocybe cubensis. Já o Psilocybe mexicana, cogumelo encontrado na América Central, era muito utilizado pelas civilizações pré-astecas e maias, ingeridos pelos sacerdotes para suas adivinhações e para o aconselhamento dos membros das tribos. Seus efeitos e malefícios são basicamente os mesmos do LSD. O chá utilizado no culto do Santo Daime é também um alucinógeno, conhecido ainda como huasca ou ayahuasca, cuja base pode ser o tronco ou a raiz do cipó Banisteriopsis caapi (conhecido como mariri ou jagube), ou as folhas do arbusto Psychotrya virides (conhecido como chacrona ou rainha). Entre as substâncias encontradas neste chá estão a harmina, harmalina e o DMT (dimetril triptamina). Sobre o histórico deste culto, vale destacar o dr. Içami Tiba, em seu já citado livro 123 Respostas sobre drogas:
“É um culto brasileiro de caráter católico popular, fundado pelo mestre Raimundo Irineu Serra. Em 1912, nos seringais amazonenses da fronteira com a Bolívia, ele conheceu a bebida huasca, da qual teria recebido a força e a revelação para fundamentar a doutrina do Santo Daime.” “A huasca ou ayahuasca é um chá de uso milenar na cultura indígena andina. Segundo os índios, a huasca lhes permitia ver o mundo real, já que o cotidiano seria apenas uma ilusão. Caapi e Chacrona são as duas plantas alucinógenas com as quais se faz o chá que é tomado durante as maratonas religiosas, que duram até 10 horas. Durante esse tempo, entre cânticos e monótonos bailados, as pessoas ficam expostas às “mirações”, isto é, às visões que o chá provoca. No ritual, as “mirações” são “conduzidas” para as dimensões espirituais da vida, especialmente ao amor entre os homens e à perfeita harmonia com as forças da natureza.” “(...) Existem relatos de jornalistas que foram participar do ritual do Santo Daime para experimentar as “mirações”; eles não sentiram nada, só passaram mal fisicamente.” “Provavelmente, o chá huasca é parte de uma cultura cujas visões são induzidas por um mestre, como num ritual religioso qualquer. Assim, os não-iniciados, não tendo vivenciado essa cultura, não conseguem “viajar” com o chá.” Casos de seguidores da seita que abandonaram a família ou cometeram o suicídio não são raros. O jornalista carioca Jorge Mourão, que perdeu um enteado que se suicidou queimando em um dos rituais da seita, deu a seguinte declaração à revista Veja: “Eles não prestam apoio psicológico a quem consome o chá, abandonam seus adeptos nas horas mais difíceis. Por isso, meu enteado suicidou-se pulando numa fogueira. Seu corpo está até hoje no Acre (onde a seita se concentra), não foi enterrado em cemitério e não tem certidão de óbito”. Além das alucinações, o chá provoca vômitos e diarréia, e ainda é desconhecido se provoca dependência física, psíquica ou tolerância.


 

 

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