Tabaco

     
 
Para abrir este link, selecionamos um trecho do livro O fumo no banco dos réus, de João Batista D. Costa, que de uma maneira leve e bem-humorada conta-nos um pouco sobre a história desta droga. Vejamos:

“Para delícia dos milhões de fumantes de hoje, Cristovão Colombo não era tão infalível como navegador. O fato é que a 28 de setembro de 1492, nas costas de Cuba, Colombo anunciava pomposamente aos tripulantes reunidos no convés que o território que acabavam de descobrir tratava-se das costas do Japão. Porém, após demoradas consultas ao livro de bordo e aos astros, resolveu dar um exemplo de autocrítica digno de elogios. Ancorado ao largo do que hoje é a Província de Orientes de Cuba, anunciou novamente ter havido um pequeno engano, porque a vegetação viçosa da costa não era própria do Japão, mas da China.”

“Provocando novamente aplausos da tripulação, nomeava emissários que entrariam em contato com o Grande Khan. Escolheu Rodrigo Jeres e Luís de Torres, que falavam fluentemente o aramaico e o hebraico, com razoável conhecimento do idioma árabe. O mais importante era que ambos tinham um faro inato para descobrir ouro, motivação sempre presente nestes tipos de expedição.”

“Os dois embrenharam-se mata a dentro e sempre sob orientação de nativos pacíficos se dirigiram ao que achavam ser a riquíssima capital do Khan. A 3 de novembro de 1492 chegaram ao destino e descobriram uma série de palhoças de madeira e coqueiros, em lugar da sonhada cidade de ouro. Lá, foram convidados a participar de uma cerimônia de ‘bruxaria’, com a intenção de afastar os maus espíritos. Nesta cerimônia pagã, a tribo dançava em volta de um braseiro, onde o Pajé lançava folhas secas de ‘tabago’, nome primitivo do tabaco, e invocavam os deuses.”

“Luís de Torres e Rodrigo Jeres foram convidados a participar intimamente da cerimônia com as personagens principais. Na medida em que subia um ‘fumo’, fumaça que era provocada pelo tabaco que era lançado ao fogo, passava de boca em boca uma ‘pepeta’ longa, onde todos aspiravam o ‘fumo’ do tabaco. Durante o dia, com rolos de folhas de tabaco, faziam seus cigarros aspirando o ‘fumo’. E foi naquela viagem que Rodrigo Jeres e Luís de Torres tiveram a oportunidade de aprender, em primeira mão, a fazer uso do tabaco.”

“Estava, pois, descoberto para os ‘civilizados’ o hábito de fumar e, na metade do século XVI, o hábito ou vício já tomava conta da maior parte do mundo, espalhando-se como fogo na Península Ibérica e em todas as suas áreas de influência: África, Oriente Próximo, China, Índia, Coréia, Malásia, Índias Orientais e Filipinas, para começar. Os demais países da Europa estavam excluídos. Era um boicote internacional que havia sido imposto naquela ocasião.”

“A festa acabou em 1560, quando o Embaixador da França em Portugal, Jean Nicot, contrabandeou algumas mudas, entregando-as à Rainha em Paris. Como fosse botânico, aproveitou-se disso para explorar ainda mais esta espécie tão rendosa que recebeu o nome de Nicotina Tabacus. Daí o nome maldito.”

“Nicot, ao enviar as primeiras mudas a Paris, descreveu em carta as virtudes milagrosas do fumo: uma verdadeira panacéia universal, curando desde verrugas a gangrenas. Foi nessa época que o fumo se tornou, pela primeira vez, alvo de ira dos médicos que viam no produto um recurso para automedicação e, conseqüentemente, uma queda em seus rendimentos.”

“À medida que crescia o número de novos fumantes, foram surgindo oposições de parte de elementos que tinham o poder de decidir, despoticamente, sobre a sorte dos fumantes.”

“Ahmed, rei da Turquia, proibiu o uso do fumo, com base no Alcorão. Seu filho Ibraim I achava que o fumo causava esterilidade e, assim, o enfraquecimento na formação de futuros guerreiros. Os Parsis da Índia não fumavam e não fumam até hoje, pois consideram o hábito uma profanação do fogo, considerado sagrado.”

“Jeres foi a primeira vítima. Tão logo chegou à Espanha, a Inquisição o trancou por anos num cárcere, na suposição então lógica de que ‘quem emite fumaça deve ter parte com o demônio’. Jeres, pelo menos, escapou com vida. Na história do vício, o que se seguiu foi um dos mais marcantes exemplos da verdadeira caça às bruxas.”

“O Xá Safi, da Pérsia, punia os fumantes derramando chumbo derretido em suas gargantas. Ch’ung Te, Imperador da China, mandava decapitar os soldados que fossem apanhados fumando. O Xá Abbas, da Pérsia, mandava queimar o fumo encontrado em poder do fumante com o portador. O Czar Miguel da Rússia, mais criativo, mandava chicotear, cortar o nariz e castrar o fumante, quando apanhado em flagrante. Os sultões da Turquia furavam o nariz do fumante, suspendendo-o por uma corda que atravessava o nariz. Para os reincidentes, caso sobrevivessem, a sentença final era a decapitação. O Papa Urbano VII ordenou a excomunhão dos fumantes em qualquer parte do mundo.”

“O primeiro cigarro teria sido fabricado durante uma batalha, mais precisamente em 1832, durante o cerco do Acre pelos egípcios que bombardeavam a fortaleza, dentro do qual se encontravam os turcos sob o comando de Suleiman Bey.”

“Os egípcios, comandados por Ibraim Paska, não conseguiam destruir as resistentes paredes do forte e sua artilharia era também bastante lenta; como de praxe, a carga era feita vagarosamente por meio de uma espécie de colher. Em dado momento uma bateria começou a disparar em ritmo acelerado. Ibraim mandou verificar o fenômeno, quando foi informado de que o artilheiro, dotado de bastante imaginação, carregava o canhão com charuto de pólvora, utilizando, para isso, papel sob a forma de cilindros. Como prêmio recebeu um saco de fumo. O artilheiro não teve dúvidas, formou um cilindro de papel, colocou fumo dentro e acendeu para deliciar-se.”

“Os que combatiam o hábito do fumo no passado baseavam-se em crendices e em interesses de grupos de médicos que se julgavam prejudicados financeiramente, pois os usuários acreditavam que o fumo era medicinal e que, por conseqüência, curava muitas doenças, conforme opinião de Jean Nicot e, assim, não consultavam os médicos com a mesma assiduidade.”

Atualmente, o tabaco é preparado para ser fumado de várias maneiras: cigarros, cachimbo, charuto, fumo em corda, palheiro e rapé; todas apresentando substâncias e malefícios ao organismo muito semelhantes. Entre estas substâncias vamos destacar o alcatrão, que causa sérias lesões pulmonares, e a nicotina, que possui efeitos excitantes no cérebro e que pode levar o usuário à dependência.

O já citado livro Conversando sobre drogas traz este pequeno trecho sobre os componentes da fumaça do cigarro:

“Os componentes gasosos da fumaça como o monóxido de carbono (CO) e o dióxido de carbono (CO2) são os responsáveis pela diminuição de oxigênio para os órgãos dos fumantes.”

“Nicotina e alcatrão compõem a porção particulada da fumaça e depositam-se nos pulmões. A nicotina é responsável pelos efeitos prazerosos do cigarro, pela dependência e pelo cheiro e cor marrom característicos do tabaco. Além da nicotina presente nas folhas do tabaco, cerca de 4.000 compostos são produzidos pela queima do cigarro, sendo o mais importante o alcatrão.”

“O alcatrão é o que resta da remoção da umidade e da nicotina e consiste de hidrocarbonetos aromáticos, alguns dos quais são cancerígenos. Os cigarros brasileiros contêm 15 a 20 mg. de alcatrão por cigarro; 0,8 a 1,5 mg. de nicotina por cigarro; 20 mg. de monóxido de carbono por cigarro.”

Seguem os problemas ocasionados pelo fumo:

Diminuição dos batimentos cardíacos, da pressão arterial e da respiração.
Câncer do pulmão, da boca, da garganta, do esôfago, da laringe e da bexiga.
Angina de peito e infarto do miocárdio.
Isquemias ou hemorragias cerebrais.
Doença pulmonar obstrutiva crônica.
Maior risco de contrair câncer dos rins, pâncreas e estômago.
Tosse típica.
Maior probabilidade de sofrer bronquite crônica e enfisema.

Entre as mulheres, tendência de entrar na menopausa mais cedo, acarretando maior chance de desenvolver osteoporose. Com o uso de anticoncepcionais orais (pílulas), as chances de morrerem por problemas cardíacos é três vezes maior do que aquelas que não usam pílulas e não fumam.



O uso do fumo durante a gravidez traz conseqüências ainda mais terríveis, pois afeta também a criança. A nicotina diminui a quantidade de oxigênio e de nutrientes para o feto. Eis algumas destas conseqüências:

Aumenta a probabilidade de abortos, partos prematuros e mortalidade fetal.
Maior risco de morte súbita do bebê, problemas pulmonares e anomalias fetais.
Quanto maior o número de cigarros fumados, menor o peso do recém-nascido.
Pode haver intoxicação pela nicotina durante a amamentação, causando agitação, diarréia, irritabilidade e taquicardia no bebê.
Aumenta a probabilidade do recém nascido contrair pneumonia e bronquite.
Desenvolvimento físico e mental em geral inferior aos filhos de mães não-fumantes.

Outro grande problema na questão do fumo são os chamados fumantes passivos. Não fumantes constantemente expostos à fumaça de cigarro aumentam o risco de câncer em 10 a 30%. As crianças são as mais atingidas, apresentando maior freqüência de problemas respiratórios agudos. Estima-se que cerca de 20% dos casos de câncer de pulmão são fumantes passivos.

Um dos mitos que cercam esta droga é o de que cigarros com baixos teores são mais seguros do que os cigarros comuns. Os fumantes costumam compensar estes teores reduzidos tragando com mais força, mais demoradamente, ou simplesmente fumando um número maior de cigarros.

A dimensão dos problemas causados pela dependência do tabaco é gigantesca. Os sintomas físicos e psicológicos da droga no organismo do usuário são os grandes responsáveis pela dificuldade de largar o vício. Entre eles estão maior clareza de pensamentos, maior atenção, maior capacidade de concentração, aumento da memória, diminuição da irritabilidade e da agressividade, relaxamento da musculatura e diminuição do apetite.

Em outros dois trechos de Conversando sobre drogas, os autores discorrem sobre a tolerância e dependência do fumo, bem como sobre os tratamentos para parar de fumar:

“Tanto a tolerância aos efeitos adversos agudos do cigarro, como a síndrome de abstinência assinalam a dependência à nicotina e contribuem para manter o hábito de fumar. A síndrome de abstinência ocorre depois das primeiras horas do último cigarro. Diminuição dos batimentos cardíacos e da pressão arterial ocorre em 6 horas e dura mais de 3 dias. Entretanto a náusea, dor de cabeça, constipação e aumento do apetite são mais importantes. Sonolência ou insônia, fadiga, irritabilidade e dificuldade para concentrar-se também acontecem. O aumento de peso e a compulsão (desejo irreprimível de fumar) são manifestações da retirada; um quarto das pessoas relatam desejo de fumar até 5 a 9 anos depois de pararem. Portanto, as manifestações de abstinência são a principal causa para que a pessoa volte a fumar.”



“Existem várias técnicas diferentes para deixar de fumar. No caso de fumantes muito pesados estaria indicado o tratamento da dependência em locais especializados. Em qualquer caso, é bem conhecido o fato de que o indivíduo deve estar muito motivado para suspender o uso do tabaco.”

“(...)”

“Em primeiro lugar, lembramos que os melhores resultados são obtidos pelos pacientes muito motivados a parar de fumar e que fazem acompanhamento em centros de tratamento. Os índices de recuperação são mais encorajadores nos tratamentos que associam o uso de goma de mascar que contém nicotina (que diminuem a síndrome de abstinência) com grupos de aconselhamento.”

“As pessoas que se mantêm sem fumar por 5 a 10 anos têm os riscos de apresentar as doenças associadas ao tabaco diminuídas ao nível de não fumantes, ou seja, tornam-se iguais aos não fumantes. Vale a pena parar de fumar!”

Os números impressionam: são cerca de 1,1 bilhão de fumantes no planeta, e cerca de 30,6 milhões no Brasil. Em 1994, a publicidade de cigarros consumiu US$ 57,6 milhões; as indústrias faturaram cerca de US$ 7,3 bilhões no mesmo ano, arrecadando US$ 4,6 bilhões de impostos. Três milhões de pessoas morrem por ano no mundo por causa do cigarro, 100 mil apenas no Brasil.

Mas este quadro está se modificando. A criação do “Dia Mundial Sem Tabaco”, comemorado em 31 de maio; as limitações impostas pela legislação para as propagandas de cigarros; a proibição em locais públicos; as advertências sobre os males do fumo nas carteiras e propagandas; a proibição de venda para menores de 18 anos e a restrição cada vez maior de espaços onde é permitida a prática do tabagismo apontam para a conscientização do público sobre os males do cigarro.

Hoje em dia é impossível fumar sem remorso.
 

 

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